Casos recentes envolvendo conflitos em condomínios têm chamado atenção para um tema que não é novo na vida em comunidade: o chamado condômino antissocial.
Um episódio que ganhou repercussão foi a decisão judicial envolvendo o ex-jogador Carlos Alberto, em que a Justiça determinou sua expulsão de um condomínio no Rio de Janeiro após conflitos recorrentes com moradores.
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Fonte: Terra
Situações como essa levantam uma questão importante: o que caracteriza um condômino antissocial e quais medidas podem ser adotadas quando a convivência se torna insustentável?
O que significa ser um condômino antissocial
De forma geral, considera-se condômino antissocial aquele morador cujo comportamento prejudica a convivência coletiva e compromete pilares fundamentais da vida em condomínio, como segurança, sossego e saúde.
Esse tipo de situação costuma representar um grande desafio para a gestão do condomínio, pois envolve comportamentos repetitivos que desrespeitam as regras previstas na convenção e no regimento interno.
Além de afetar a rotina dos moradores, essas atitudes também podem impactar o trabalho de funcionários e a administração do empreendimento.
O que diz a legislação
O Código Civil, principal legislação que regula os condomínios no Brasil, prevê penalidades para o morador que apresenta comportamento antissocial.
O artigo 1.337 estabelece que o condômino que gera conflitos constantes e torna a convivência insustentável pode sofrer multa equivalente a até 10 vezes o valor da taxa condominial, desde que a penalidade seja aprovada por três quartos dos condôminos restantes.
É importante destacar que o condomínio não pode restringir a circulação do morador nas áreas comuns, mesmo que ele esteja inadimplente.
É possível expulsar um condômino antissocial?
O Código Civil não prevê diretamente a expulsão do condômino. Por esse motivo, a maioria das decisões judiciais entende que a retirada do morador do condomínio não pode ocorrer apenas com base na convenção condominial.
Isso acontece porque o direito de propriedade garante ao titular do imóvel o direito de usar, aproveitar e dispor do bem.
No entanto, existem situações excepcionais em que o condomínio pode recorrer à via judicial quando o comportamento do morador representa risco ou torna a convivência impossível.
Nesses casos, cada situação é analisada individualmente pela Justiça.
O que pode acontecer em decisões judiciais
Quando as multas e tentativas de solução não resolvem o problema, o condomínio pode buscar medidas judiciais.
Em casos extremos, o juiz pode determinar que o morador não resida mais no condomínio, embora ele continue sendo proprietário do imóvel.
Isso significa que a pessoa pode vender ou alugar a unidade, mas não frequentar o local.
Provas são fundamentais
Para que um processo desse tipo avance, é essencial apresentar documentação consistente, como:
. Testemunhas
. Áudios
. Vídeos
. Imagens das câmeras de segurança
. Registros de advertências e multas
. Histórico de tentativas de resolução
Esses elementos ajudam a demonstrar a gravidade e a repetição das atitudes.
Como agir diante de um vizinho agressivo
Especialistas recomendam que moradores não tentem resolver a situação sozinhos.
Algumas medidas importantes incluem:
. Acionar a polícia quando houver ameaça ou risco imediato
. Comunicar o síndico para que o caso seja tratado administrativamente
. Registrar provas que possam ser utilizadas em eventual ação judicial
Quando há suspeita de problemas de saúde
Em algumas situações, comportamentos agressivos podem estar relacionados a questões de saúde mental.
Nesses casos, a orientação é tentar envolver familiares do morador e buscar soluções adequadas. Em determinadas circunstâncias, pode ser solicitada judicialmente a curatela, instrumento que permite que um responsável passe a administrar decisões da pessoa que não consegue cuidar de si mesma.
Convivência e responsabilidade coletiva
A vida em condomínio exige equilíbrio entre direitos individuais e responsabilidades coletivas. Quando comportamentos ultrapassam limites e passam a afetar a segurança, o sossego ou a saúde dos moradores, a legislação prevê mecanismos para lidar com essas situações.
Conhecer esses instrumentos legais e seguir os procedimentos corretos é fundamental para que conflitos sejam tratados de forma adequada e dentro da lei.




